Vamos falar sobre Romantismo?

tumblr_nlkrko0Q3h1tkkk9mo1_1280

Olá pessoas deste vasto universo,como vocês estão?

Então, o blog está meio sem post esses dias/semanas, por que desde o dia 5 de março eu voltei a estudar e isso significa menos tempo pra ler,menos tempo pra escrever,menos tempo pra assistir minhas séries e menos tempo pra fotografar 😦 Triste realidade.

Porém, como eu não queria deixar o blog sem post,decidi falar sobre algo que envolve o IF também. Desde o começo das aulas até a semana passada eu estava muito feliz em minhas aulas de Português, por que nós estávamos estudando o Romantismo. Okay… Maravilhoso,mas essa é a parte que vocês falam “Ysa, mas o que foi o Romantismo?” Bem, foi um estilo que surgiu na Europa no final do século XVIII e que deu as caras pelo Brasil em 1830, mais ou menos.

O estilo romântico é caracterizado pela expressão completa dos sentimentos do eu-lírico,do estado da sua alma, e pode ser dividido em três gerações. A primeira geração do romantismo brasileiro foi caracterizada pelo indianismo,nacionalismo e a valorização da natureza. Um dos maiores poetas que ficou conhecido essa época por esse estilo foi Gonçalves Dias,muito conhecido pela Canção do Exílio, onde ele valoriza a natureza nacional e mostra todo o seu amor pelo país e a vontade que sente de voltar para o Brasil.

Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

O poeta ficou tão conhecido, que chegou a ganhar um livro em sua homenagem escrito pela autora cearense Ana Miranda, onde ela usa Dias como um dos personagens da trama (Dias e Dias – RESENHA AQUI). Sem falar, é claro,das várias referencias feitas a Canção do Exílio em vários poemas e músicas (inclusive no Hino Nacional) brasileiros.

Mas enfim,por que eu estou dando uma de professora de literatura aqui? Por que é muito comum hoje as pessoas não se darem ao trabalho de conhecer um pouco da literatura brasileira. Eu mesma conheço pouquíssimo sobre livros e autores nacionais. Porém, do pouco que eu conheci,me encantei. As aulas de português me deram a chance de conhecer um pouco sobre e foi isso que me fez correr atrás de saber mais. O resultado foi que acabei me apaixonando pelos poemas,livros e autores brasileiros. Existe uma riqueza gigantesca escondida em nosso país e isso deveria ser mais valorizado 😉

Bom,voltando a falar sobre as gerações, vou escolher um poema de cada uma delas (vai ser difícil,por que gosto de muitos) e falar um pouquinho sobre. OBS: Não vou colocar todos os poemas na integra,por que se não fica muito grande o post.

1º GERAÇÃO

Canção do Tamoio (Natalícia)

I
Não chores, meu filho;
Não chores, que a vida
É luta renhida:
Viver é lutar.
A vida é combate,
Que os fracos abate,
Que os fortes, os bravos
Só pode exaltar.

II
Um dia vivemos!
O homem que é forte
Não teme da morte;
Só teme fugir;
No arco que entesa
Tem certa uma presa,
Quer seja tapuia,
Condor ou tapir.

III
O forte, o cobarde
Seus feitos inveja
De o ver na peleja
Garboso e feroz;
E os tímidos velhos
Nos graves concelhos,
Curvadas as frontes,
Escutam-lhe a voz!

IV
Domina, se vive;
Se morre, descansa
Dos seus na lembrança,
Na voz do porvir.
Não cures da vida!
Sê bravo, sê forte!
Não fujas da morte,
Que a morte há de vir!

V
E pois que és meu filho,
Meus brios reveste;
Tamoio nasceste,
Valente serás.
Sê duro guerreiro,
Robusto, fragueiro,
Brasão dos tamoios
Na guerra e na paz.

VI
Teu grito de guerra
Retumbe aos ouvidos
D’imigos transidos
Por vil comoção;
E tremam d’ouvi-lo
Pior que o sibilo
Das setas ligeiras,
Pior que o trovão.

VII
E a mão nessas tabas,
Querendo calados
Os filhos criados
Na lei do terror;
Teu nome lhes diga,
Que a gente inimiga
Talvez não escute
Sem pranto, sem dor!

VIII
Porém se a fortuna,
Traindo teus passos,
Te arroja nos laços
Do inimigo falaz!
Na última hora
Teus feitos memora,
Tranqüilo nos gestos,
Impávido, audaz.

IX
E cai como o tronco
Do raio tocado,
Partido, rojado
Por larga extensão;
Assim morre o forte!
No passo da morte
Triunfa, conquista
Mais alto brasão.

X
As armas ensaia,
Penetra na vida:
Pesada ou querida,
Viver é lutar.
Se o duro combate
Os fracos abate,
Aos fortes, aos bravos,
Só pode exaltar.

Nesse poema, Gonçalves Dias deixa bem claro uma característica bem comum da primeira geração,que é o indianismo. Mostrar o índio como um herói,alguém que passará a vida lutando. Ele exalta também a questão da luta e que somente assim pode-se sobreviver. Eu acho esse poema lindo em especial, por que retrata a imagem de um pai falando ao filho tudo isso : que em sua vida ele terá de lutar, por que A vida é combate / Que os fracos abate / Que os fortes, os bravos / Só pode exaltar.

 2º GERAÇÃO

Lembrança de Morrer

Quando em meu peito rebentar-se a fibra,
Que o espírito enlaça à dor vivente,
Não derramem por mim nenhuma lágrima
Em pálpebra demente.

E nem desfolhem na matéria impura
A flor do vale que adormece ao vento:
Não quero que uma nota de alegria
Se cale por meu triste passamento.

Eu deixo a vida como deixa o tédio
Do deserto, o poento caminheiro,
… Como as horas de um longo pesadelo
Que se desfaz ao dobre de um sineiro;

Como o desterro de minh’alma errante,
Onde fogo insensato a consumia:
Só levo uma saudade… é desses tempos
Que amorosa ilusão embelecia.

Só levo uma saudade… é dessas sombras
Que eu sentia velar nas noites minhas…
De ti, ó minha mãe, pobre coitada,
Que por minha tristeza te definhas!

De meu pai… de meus únicos amigos,
Pouco – bem poucos… e que não zombavam
Quando, em noites de febre endoudecido,
Minhas pálidas crenças duvidavam.

[…]

Já nesse poema de Álvares de Azevedo, poeta que é um dos mais conhecidos da segunda geração do romantismo brasileiro, vemos um clima mais de sofrimento, que o eu-lírico vê a morte como uma saída, como a solução para a vida tediosa que ele levava. A segunda geração tem essa característica de ser mórbida e sempre recorrer a morte como uma saída. Nessa geração,assim como na primeira, a mulher era vista como inatingível,uma mulher idealizada. Mesmo parecendo não ser algo muito legal, mas os poemas produzidos nessa época são os mais bonitos das três gerações (na minha humilde opinião).

3º GERAÇÃO

Boa noite

Veux-tu donc partir? Le jour est encore éloigné:
C’était le rossignol et non pas l’alouette,
Dont le chant a frappé ton oreílle inquiète;
Il chante Ia nuit sur les branches de ce granadier
Crois-moi, cher ami, c’était le rossignol.

Shakespeare

Boa noite, Maria! Eu vou me embora.
A lua nas janelas bate em cheio.
Boa noite, Maria! É tarde… é tarde. .
Não me apertes assim contra teu seio.

Boa noite! … E tu dizes – Boa noite.
Mas não digas assim por entre beijos…
Mas não mo digas descobrindo o peito,
— Mar de amor onde vagam meus desejos!

[…]

Falando agora da última geração, nesse poema de Castro Alves fica bem clara a diferença entre a 1º e 2º da 3º geração. Nessa geração a mulher não é vista mais idealizada,mas ela mostra reciprocidade no sentimento que o eu-lírico sente. Quando ele diz “Boa Noite“,ela o aperta em seus braços para que ele não vá embora ❤

As três gerações tem características diferentes, que as fazem bonitas de formas diferentes. Cada uma têm algo que acaba encantando quem procura ler sobre. O que eu mostrei aqui é um exemplo minúsculo de toda a beleza e riqueza que podemos encontrar nos livros e poemas brasileiros. 😀

É isso galera! (Imagino que meu professor de português ficaria bem feliz em ler esse post haha)

Um grande abraço e Boa noite! — formosa Consuelo. (Boa noite , Castro Alves).

Acompanhe o Blog nas redes sociais:

Facebook  Twitter Tumblr  Pinterest  Ask  Skoob

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s