[RESENHA] Eu, Robô do Isaac Asimov

Começo esse post dando um aviso para aqueles que nunca leram Eu,Robô , mas assistiram ao filme: não julguem um livro pelo seu filme! haha’

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ISBN:  ISBN-13: 9788500015298 ISBN-10: 8500015292

Páginas: 320

Nota: ★★★★★

Sinopse: Sensíveis, divertidos e instigantes, os contos de Eu, robô são um marco na história da ficção científica, seja pela introdução das célebres Leis da Robótica, pelos personagens inesquecíveis ou por seu olhar completamente novo a respeito das máquinas. Vivam eles na Terra ou no espaço sideral; sejam domésticos ou especializados, submissos ou rebeldes, meramente mecânicos ou humanizados, os robôs de Asimov conquistaram a cabeça e a alma de gerações de escritores, cineastas e cientistas, sendo até hoje fonte de inspiração de tudo o que lemos e assistimos sobre essas criaturas mecânicas.

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Asimov é um gênio!

Acredito que isso não deva ser novidade pra quem curte ficção cientifica. Junto com Heinlein e Arthur Clarke, Asimov é um considerado um dos mestres do sci-fi. E se você quer começar a ler as obras desse autor fantástico, nada melhor do que Eu,Robô para ingressar nesse universo.

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Nesse obra formada por nove contos, conhecemos Susan Calvin, uma robopsicóloga da US Robôs e Homens Mecânicos. Por meio de histórias com arcos fechados, mas que se interligam pela presença de Susan, Eu,Robô apresenta ao leitor toda a história dos robôs: desde sua criação até a expansão dos mesmos no universo. Todos os contos estão sempre dentro das três leis da robótica e das questões que surgem a partir delas.

1 – Um robô não pode ferir um ser humano ou, por omissão,permitir que um ser humano sofra algum mal.

2 – Um robô deve obedecer as ordens que lhe sejam dadas por seres humanos, exceto nos casos em que tais ordens contrariem a Primeira Lei.

3 – Um robô deve proteger sua própria existência, desde que tal proteção não entre em conflito com a Primeira e a Segunda Leis.

Asimov trás uma ficção cientifica, até então, não conhecida na época. Era muito comum o sci-fi ser confundido com fantasia, e por meio de Asimov, a ficção começou a ser mesmo cientifica, se colocando dentro de uma sociedade real. Em outras palavras , um cientista, astrônomo ou matemático que lê as história do Asimov consegue ver a ciência dentro delas e consegue vê aquele universo como real. Uma prova disso foi que, antes de Asimov muitas obras de ficção cientifica traziam como personagem principal um aventureiro, e após Asimov o personagem passou a ser um cientista,um matemático e assim por diante.

E para vocês entenderem melhor toda a história dentro de Eu,Robô , resolvi falar um pouco sobre cada conto. Claro, sem spoilers! 😀

Robbie

Nesse primeiro conto, Asimov apresenta ao leitor um dos primeiros robôs criados pela U.S. Robôs. Robbie é um robô babá, o que mostra a intenção clara de que os robôs comecem a ser vistos como parte da sociedade. Porém, nessa primeira parte da história a única pessoa que consegue se apegar a máquina é Glória, a dona de Robbie que tem apenas 8 aninhos. A criança se apega ao robô, levando a família a ter que lidar com problemas como o falatório da vizinhança, que não aquenta a ideia dos pais deixarem uma máquina cuidando da criança.

– Agora, não espie… e não pule os números – avisou Gloria, antes de correr para esconder-se. Os segundos foram contados com regularidade invariável e, ao centésimo tique, a película metálica se ergueu.

Andando em círculos

Nesse segundo conto conhecemos Powell e Donavan, que é sem dúvida a dupla mais engraçada de todo o livro. Os dois, em companhia de um robô chamado Speedy, são enviados para Mercúrio para instalar um Estação Mineira no planeta. Tudo vai bem até o momento que Speedy é enviado até o lado iluminado do planeta para coletar selênio e acaba se perdendo. Esse problema acaba trazendo uma das discussões científicas mais legais do livro. Powell e Donavan passam a  raciocinar, levando em conta as três leis da robótica, sobre o que teria levado Speedy a ficar preso na área iluminada do planeta. A discussão é simplesmente fantástica, por que a solução do problema vem por meio da lógica com base nas leis da robótica. É FANTÁSTICO! É uma questão muito mais de lógica e raciocínio do que de ação.

– Bem, escute: vamos começar pelas três leis fundamentais das Regras da Robótica, as três regras que estão mais profundamente incutidas no cérebro positrônico de um robô.

Razão

Nesse terceiro conto, temos a presença novamente de Powel e Donovan. Dessa vez, a missão dos dois é supervisionar o robô Cutie em seu trabalho na Estação Espacial. O problema começa quando Cutie não quer acreditar que foi criado por meros humanos, e passa questionar os dois cientistas sobre sua existência. Crente de que foi criado por um ser superior, ele passa a dizer a Powel e Donovan que a vida que eles levam é uma ilusão e que na verdade o mundo é da forma como ele (Cutie) pensa. As discussões envolvendo a existência de Cutie são simplesmente hilárias.

– Porque eu, na qualidade de ser racional, sou capaz de deduzir a Verdade partindo de causas a priori. Vocês, na qualidade de seres inteligentes, mas desprovidos de capacidade de raciocínio lógico, precisam que a explicação da existência lhes seja fornecida. E foi o que o Mestre fez. Não tenho dúvidas de que as informações ridículas sobre mundos longínquos e povos estranhos são benéficas para vocês. É bem provável que tenham uma mente muito primitiva para absorver a dura Verdade. Entretanto, já que o Mestre deseja que acreditem nos livros, não mais discutirei com vocês. – Ao sair, virou-se uma última vez e disse em tom bondoso: – Mas não fiquem tristes. No sistema arquitetado pelo Mestre há lugar para todos. Vocês, pobres seres humanos, terão seu lugar, embora humilde. Caso se comportem devidamente, serão recompensados.

É Preciso Pegar o Coelho

Novamente fazendo uso de Powel e Donovan, Asimov trás mais um robô problemático. Dessa vez, a dupla tem que lidar com Dave, um robô que supervisiona ou comanda mais seis robôs. Durante a escavação, os robôs apresentam atitudes estranhas quando não estão sendo observados. A ‘missão’ de Powel e Donovan é descobrir o que levaria Dave a agir fora do padrão quando não está sendo vigiado.

– Descobrir o que há de errado com eles, eis o que podemos fazer. Mas em três ocasiões diferentes, quando eu não os observava, eles não trouxeram minério algum. Nem mesmo regressaram no horário. Tive de ir procurá-los.

– E havia algo de errado?

– Nada. Absolutamente nada. Tudo estava perfeito. Límpido e perfeito como a luminosidade do éter. Apenas um pequeno detalhe me perturbou: não havia minério. Powell fez uma careta em direção ao teto e cofiou o bigode castanho.

 Mentiroso!

Herbie é um robô capas de ler os pensamentos humanos. Durante as discussões propostas nesse conto, as leis da robótica são novamente o pilar de toda a história. Enquanto de um lado temos Ashe, Lanning, Bogert e Susan tentando descobrir o que levou o robô a ser diferente dos outros, do outro temos os mesmos sendo afetados pela capacidade do robô. Poderia ser um problema o robô levar tão a sério a primeira lei?

Esse conto é sem dúvida um dos mais envolventes, pois estamos lidando com dois opostos: um robô desprovido de sentimentos com a capacidade de saber o que se passa na mente de humanos, confusos, com um cachoeira de sensações e sentimentos em suas mentes.

– Exatamente! Qualquer espécie! E quanto a mágoas? E quanto ao orgulho ferido? E quanto a esperanças perdidas? Não são males?

Lanning franziu a testa.

Um Robozinho Sumido

Conto que serviu de inspiração para o filme Eu,Robô. Digo inspiração, por que o filme tem algumas coisas que lembram o conto. Vagas lembranças. Não é realmente uma adaptação (se você lê o conto verá isso). Mas enfim, nesse conto vemos o ponto em que a primeira lei começou a atrapalhar o trabalho dos humanos, quando isso envolvia riscos, como a exposição a radiação. Para que os robôs deixassem o humanos trabalhar nessas áreas, a primeira lei foi alterada. Nesse caso, o robô ainda deveria proteger os seres humanos, mas a parte do “por omissão,permitir que um ser humano sofra algum mal” foi retirada, permitindo que humanos trabalhassem em áreas com radiação.

Porém, um robô que ainda tinha a antiga lei em seu cérebro positrônico estava escondido junto a 62 robôs da nova geração. Por meio de testes, Susan tem que descobrir qual é o robô mentiroso.

E sim : o teste que ela usa para descobri quem é o infrator é FANTÁSTICO! (Como tudo nesse livro haha)

– Se um robô modificado largasse um grande peso sobre um ser humano, não estaria quebrando a Primeira Lei, desde que o fizesse com plena consciência de que sua força e rapidez de reflexos seriam suficientes para deter o peso antes que este atingisse o homem. Entretanto, tão logo o peso lhe saísse das mãos, ele deixaria de ser o agente da agressão. Tudo correria por conta da força cega da gravidade. Então, o robô poderia mudar de ideia e, por omissão, permitir que o peso esmagasse o homem. A modificação efetuada na Primeira Lei possibilitaria o fato.

 Evasão

Nesse conto, Asimov mistura a ciência real com algo que ainda não foi feito: viagem com motor de dobra espacial (muito comum em filmes como Star Trek). Tudo gira em torno de uma corrida espacial, e a chave para que a U. S. Robô vença tal corrida é um robô muito peculiar chamado Cérebro.

– Em que ponto estão do Plano Hiperatômico? – quis saber ele.

– Não sei – respondeu ela, irritada. – Não perguntei.

– Ora… Gostaria que se apressassem, porque se não o fizerem, a Consolidated pode conseguir antes deles. E antes de nós também.

Evidência

Nesse penúltimo o começo da trajetória de Stephen Byerley na política. Durante as eleições ele é acusado por Quinn de ser um robô, o que tiraria ele imediatamente das eleições, devido ao fato de que robô não eram permitidos em cargos como esse. Durante todo o conto Quinn tenta de todas as formas possíveis provar que Stephen é um robô, e posso dizer que esse conto é o que trás o final mais surpreendente.

O Conflito Evitável

Nesse conto narrado por Stephen Byerley, vemos uma conversa entre ele e Susan, onde vários problemas como o atraso na construção do canal do México e a superprodução na World Steel, são apresentados. Somos apresentados a um resumo de toda a história de como os robôs chegaram até onde estão e a questão maior : será que eles querem tomar o lugar dos humanos e controlar a humanidade ou estão fazendo isso apenas para proteger os humanos deles mesmos?

Com esse conto, Asimov fecha com chave de ouro uma das obras mais brilhantes da ficção científica, se tornando uma leitura obrigatória para qualquer fã de sci-fi.

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