[RESENHA] Os Sofrimentos do Jovem Werther do J. W. Goethe

Em minha pequena jornada como blogueira literária, já passei por momentos onde eu não consegui expressar em palavras o quanto um certo livro significou para mim ou fazer uma resenha onde eu conseguisse expressar todos os sentimentos que o livro despertou em mim. Porém, acho que a situação nunca foi tão difícil como hoje.

Tenho plena consciência que a resenha que vou escrever agora não transbordará todo o carinho que criei por esse livro, muito menos irei conseguir explicar o por que de tanto amor. Porém, gostaria de fazer um pedido desde já : gostando ou não da resenha, dê uma chance a esse livro. Ele é fantástico!

Ahhh… E antes de começar, só queria fazer um agradecimento especial ao meu queridíssimo professor de Filosofia e amigo, Emmanoel Rufino, que me emprestou essa edição maravilinda.

BASE WIDGTES FICHA TÉCNICA

ISBN:  ISBN-13: 9788579710087 ISBN-10: 8579710081

Páginas: 174

Autor: J. W. Goethe

Editora : Abril

Sinopse: Precursor do romantismo alemão, este romance epistolar, publicado em 1774, causou uma onda de suicídios. A trágica história da paixão irrefreável de Werther pela bela Lotte expressa a sensibilidade da burguesia ascendente e o confronto entre sentimentos individuais e convenções sociais.

BASE WIDGTES O LIVRO

O coração do homem, meu caro amigo, é um mistério indecifrável! (pág.13)

Os Sofrimentos do Jovem Werther começa de uma forma um tanto quanto confusa. Confesso que demorei um pouco para pegar o ritmo da leitura, mas quando isso aconteceu, Goethe conseguiu ganhar um lugar bem especial no meu coração para sempre.

Diferente da maioria dos livros que nós vemos por ai, Os Sofrimentos do Jovem Werther é um romance epistolar¹, onde as cartas que narram a história são escritas pelo próprio Werther, destinadas a um amigo muito próximo chamado Wilhelm.  Por meio das cartas, nós acompanhamos o nascimento de um amor que não pode ser concretizado. Werther conhece e acaba se apaixonando por uma jovem chamada Lotte (ou Charlotte). O único problema, que acaba sendo o maior de todos, é que a jovem já está prometida a um rapaz, Albert. A partir do momento em que Werther conhece Lotte e começa a alimentar essa paixão secreta, o livro é dominado por essa questão, que é a temática principal de toda a trama.

Ai daqueles que se aproveitam do poder que têm sobre um coração para roubar-lhe as inocentes alegrias que nele nascem espontaneamente! Todos os presentes, todas as graças do mundo não podem compensar um momento de prazer envenenado pela inveja de um tirano. (pág.45)

O fato da livro ser narrado em primeira pessoa acaba nos dando uma noção melhor da forma como o amor por Lotte vai tomando conta de Werther, e o consumindo. No começo do livro, vemos que as cartas do jovem para seu amigo relatam fatos corriqueiros de sua vida, descrevendo as paisagens do lugar onde está e os costumes da população local. Porém, depois que Werther conhece Lotte, sua cabeça é dominada pelo amor e paixão que sente pela jovem, e as cartas para Wilhelm tem uma única temática sempre : Lotte. A partir daí vemos que a cada dia que passa, o amor secreto que sente pela jovem o vai consumindo. Ter que guardar tal ardente paixão o destrói. Nesse ponto, posso descrever Werther como uma pessoa um tanto impulsiva e levada muito facilmente pelos sentimentos. Ele se doa demais, se entrega demais ao amor que sente por Lotte.

(…) – Pense em Lotte.

– Pensar! – respondi. – Você precisa me pedir isso? Penso! … Não, não penso! Eu a tenho sempre em minha alma. (pág. 114).

Em paralelo, vemos a relação dele com Albert, que vai se tornando intragável a cada dia. Os dois, além de amarem a mesma mulher, não tem pensamentos muito parecidos, e esse choque de ideias leva a um dos diálogos mais fantásticos do livro. Em um momento a sós, os dois tem uma conversa sobre o que leva uma pessoa a tirar a própria vida. Enquanto Albert trata o suicídio como loucura, Werther deixa bem claro a sua ‘afeição’, eu diria, pelo ato.

Por que será que os homens não podem falar de uma coisa sem dizer imediatamente : “Isso é loucura, aquilo é ajuizado, isso é bom, aquilo é mau!”? Que significam todos esses julgamentos? (…) Saberiam determinar com exatidão as causas que a produziram que deviam produzi-la? Se soubessem tudo isso, não seriam tão apressados em seus julgamentos. (pág. 63)

Essa temática de como uma certa situação, ou até mesmo o amor, pode afetar a sanidade e as decisões de um homem, é tratada de forma brilhante por Goethe. Em alguns momentos Werther questiona se realmente é correto chamar alguém de louco, sem antes conhecer o que levou a pessoa a tomar uma certa decisão.

Meu amigo – exclamei – o homem é sempre o homem, e o pouco de discernimento que um pode ter a mais que o outro de quase nada serve, pois quando a paixão irrompe somos arrastados ao limite extremo da capacidade humana. (pág. 66)

Sem sombra de dúvidas, uma das coisas que mais me encantou no livro foi a escrita do Goethe. A forma como o Werther descreve o seu amor por Lotte e todo o sofrimento que está passando é muito envolvente. Além disso, o fato da história ser contada por cartas faz com que tudo se torne muito real. E vou ser bem sincera com vocês: me apaixonei perdidamente pelo personagem. Passei o livro todo querendo estar dentro da história, para de alguma forma mudar tudo que aconteceu.

Ah! como ardo e estremeço quando, por acaso, meu dedo toca no dela, quando nossos pés se encontram sob a mesa! (pág. 51)

Por sua narrativa, o rapaz fazia-me vislumbrar claramente quanto ela era encantadora e bela a seus olhos (…) seria necessário repetir tudo, palavra por palavra, para dar a você uma ideia mais precisa do afeto, do amor e da fidelidade que esse homem devotava à sua amada. Mais do que isso, eu precisaria ter o talento do maior poeta para representar-lhe ao mesmo tempo, de modo vivo, a expressão de seus gestos, a harmonia de sua voz, o fogo celeste de seu olhar.

(…)

Farei o possível para vê-la quanto antes; ou, pensando bem melhor evitá-la. É preferível vê-la pelos olhos de seu apaixonado: talvez os meus não a vejam tal como ela agora se apresenta em minha mente. Por que, então, macular tal bela imagem? (pág.27)

Bem… Devo dizer que se eu pudesse, passaria todo o resto da minha noite aqui, escrevendo sobre os sofrimentos desse jovem Werther, mas creio que entre ler uma resenha gigante e ler o livro, a leitura do livro será mais proveitosa. Sendo assim, para finalizar, gostaria apenas de reforçar meu pedido do começo do post: leiam esse livro! Deem uma chance para uma das maiores obras alemãs que o mundo já viu!

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2 comentários em “[RESENHA] Os Sofrimentos do Jovem Werther do J. W. Goethe

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